Além do Node.js: Por que o Bun merece sua atenção em 2026

Vivemos uma era de ouro no ecossistema JavaScript. Nos primeiros anos, o expoente para "JavaScript no servidor" foi Node.js , hoje temos um menu de opções com outras possibilidades. É nesse contexto que precisamos falar sobre o Bun.

Além do Node.js: Por que o Bun merece sua atenção em 2026

Uma análise sobre a evolução dos runtimes JavaScript, performance e o que a aquisição pela Anthropic significa para o futuro do open-source.

O cenário atual

Vivemos uma era de ouro no ecossistema JavaScript. Nos primeiros anos, o expoente para "JavaScript no servidor" foi Node.js , hoje temos um menu de opções com outras possibilidades.

Em conversas de PDI e alinhamentos técnicos aqui na ZRP, frequentemente discutimos ferramentas que podem trazer mais eficiência para nossos projetos. É nesse contexto que precisamos falar sobre o Bun.

Provavelmente tenha visto a notícia em dezembro de 2025: a Anthropic adquiriu o Bun. Para alguns, isso gerou dúvidas; para outros, confirmou que este runtime veio para ficar. Mas antes de falarmos de mercado, é preciso entender a tecnologia.

O que é um Runtime (e por que não é só o V8)

Para alinharmos o conhecimento técnico: é comum confundirmos Engine com Runtime, mas a distinção é vital para entender a proposta do Bun.

Engine é puramente o motor que interpreta o código e executa o ECMAScript (como o V8 no Chrome/Node ou o JavaScriptCore no Safari) . Já o Runtime é o ambiente completo que "envelopa" esse motor e fornece as APIs necessárias para o código interagir com o mundo real — permitindo acesso ao sistema de arquivos, rede, timers e o próprio event loop .

Nesse cenário, enquanto Node.js e Deno apostam no V8, o Bun tomou um caminho arquitetural diferente: ele é construído sobre o JavaScriptCore (o engine do WebKit/Safari). Essa escolha técnica torna o Bun excepcionalmente rápido na inicialização e execução de scripts curtos, uma vantagem competitiva crucial para o desenvolvimento de CLI tools e arquiteturas serverless modernos.

Bun: A promessa de "All-in-One"

A grande dor que o Bun resolve não é apenas performance de execução (embora ele seja muito rápido), mas a fadiga de configuração.

Em um projeto Node.js típico na ZRP, precisamos configurar:

  1. O Runtime (Node)
  2. Um gerenciador de pacotes (npm, yarn, pnpm)
  3. Um transpiler para TypeScript (tsc, swc)
  4. Um bundler (Webpack, Vite, Rollup)
  5. Um test runner (Jest, Vitest)
  6. Um carregador de variáveis de ambiente (dotenv)

O Bun propõe ser uma ferramenta única para tudo isso. Ele é um runtime, um gerenciador de pacotes (compatível com npm), um bundler e um test runner. Tudo nativo, escrito em Zig, focado em performance extrema.

Imagine rodar um arquivo TypeScript diretamente (bun index.ts) sem precisar de um tsconfig.json complexo ou instalar o ts-node. É essa baita experiência trazida pelo Bun.

Comparativo Rápido (Benchmark 2025/2026)

Embora benchmarks sintéticos não contem a história toda, os números de performance bruta — impulsionados pelo engine JavaScriptCore — são impossíveis de ignorar. Abaixo, colocamos o Node.js (padrão de mercado), o Deno (segurança/modernidade) e o Bun lado a lado:

Característica / Métrica Node.js (v24 LTS) Deno (v2.x) Bun (v1.3)
Engine (Motor) V8 (Google) V8 (Google) JavaScriptCore (Apple)
Instalação de Pacotes ~30s (npm install) Rápido (Cache global) ~1s (bun install)
Throughput HTTP ~60k req/s ~68k req/s ~120k req/s (2x mais rápido)
Test Runner Jest/Vitest (Setup lento) Nativo (Rápido) Nativo (Instantâneo)
TypeScript Requer Transpiler (ou built-in experimental) Nativo Nativo
Cold Start (Serverless) ~150ms ~60ms ~10ms

Fontes: Node.js vs Deno vs Bun: Comparing JavaScript Runtimes

Nota: Os valores são aproximados baseados em benchmarks de "Hello World" em máquinas padrão de desenvolvimento. O ganho real varia conforme a complexidade da regra de negócio, mas a redução de latência no Bun é consistente.

Por que esses números importam na ZRP?

  1. Instalação (20x mais rápido): Em pipelines de CI/CD, onde instalamos dependências a cada build, trocar npm por bun pode reduzir o tempo de esteira em minutos.
  2. Throughput (2x maior): Significa que podemos atender a mesma quantidade de usuários com menos infraestrutura (menos pods no Kubernetes, menos memória consumida).
  3. Cold Start: Para microsserviços e Lambdas que escalam do zero, a diferença de 150ms (Node) para 10ms (Bun) é a diferença entre o usuário perceber um "engasgo" na tela ou não.

A Aquisição pela Anthropic: O que muda?

Essa é a parte estratégica que me motivou a falar sobre. Em dezembro de 2025, a Anthropic (criadora do Claude) adquiriu o Bun. O que isso significa para nós, desenvolvedores?

  1. Sustentabilidade: O projeto ganha recursos financeiros de uma empresa que está se consolidando no uso das LLM’s, competindo com o Deno (apoiado por VCs) e o Node.js (OpenJS Foundation).
  2. Foco em AI: A Anthropic precisa de um runtime extremamente rápido e eficiente para rodar agentes de IA e processamento de código na borda (edge). O Bun é perfeito para isso.
  3. Licença MIT: Eles reafirmaram o compromisso com o open-source. O Bun continua “livre” para contribuições para nós, devs.

Bun na ZRP: Onde ele se encaixa?

Não estou sugerindo reescrever nossos legados monolíticos em Bun amanhã. A estabilidade e o ecossistema maduro do Node.js continuam imbatíveis para aplicações críticas de longa data. Porém, o Bun é um candidato fortíssimo para novos projetos em cenários específicos.

Novos Microsserviços

Onde o cold start e a performance de I/O são críticos — especialmente em ambientes serverless (AWS Lambda, Google Cloud Functions). Um microsserviço em Bun inicia em poucos milissegundos, economizando recursos e latência em cada invocação.

// Temos aqui um servidor inicial
Bun.serve({
  port: 3000,
  fetch(req) {
    return new Response("Bem-vindo à ZRP!");
  },
});

console.log("Servidor rodando em <http://localhost:3000>");

Execute com bun index.ts — nenhum ts-node, nenhum transpile separado.

Tooling e Scripts de Build

Substituir scripts lentos de CI/CD por scripts em Bun pode economizar minutos preciosos em cada deploy. Um script que levava 30 segundos em Node.js pode rodar em menos de 5 segundos em Bun.

// Criando um build
import { $ } from "bun";

console.log("Iniciando build...");

const startTime = performance.now();

// Execundo comando do shell nativamente
await $`npm run lint`;
await $`npm run test`;
await $`npm run build`;

const endTime = performance.now();
console.log(`Build concluído em ${((endTime - startTime) / 1000).toFixed(2)}s`);

Execute com bun run script.ts — aproveitando o startup instantâneo do Bun.

Prototipagem Rápida e MVPs

A capacidade de rodar TypeScript nativamente (sem tsconfig.json complexo) e ter um bundler integrado acelera muito o ciclo de desenvolvimento de MVPs. Você escreve, executa, testa tudo no mesmo fluxo.

// TypeScript pronto para rodar, bora
interface User {
  id: number;
  name: string;
}

const users: User[] = [
  { id: 1, name: "João" },
  { id: 2, name: "Maria" },
];

console.log(users);

Rode com bun index.ts — TypeScript funciona out-of-the-box.

Para visualização rápida, criei uma POC dos comandos citados no Codesandbox.

Conclusão

O ecossistema JavaScript amadureceu. Não precisamos mais escolher uma ferramenta apenas porque "todo mundo usa". O Bun provou, especialmente com a versão 1.3 e agora sob o guarda-chuva da Anthropic, que performance e experiência do desenvolvedor (DX) podem andar juntas.

Para nós na ZRP, que prezamos por excelência técnica, vale a pena manter o Bun no radar — e talvez, no próximo git init, dar uma chance a ele em um próximo projeto serveless, que tal?

Referências